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quinta-feira, novembro 13, 2008

Sigur Rós no Campo Pequeno

Se foste ver isto, eu odeio-te...

Eu nem sabia... Quer dizer, sabia, tinha ouvido falar, uns sussurros aqui e além... Mas nada de preto no branco... Como eu não fui, vou deixar aqui o texto que Nuno Markl escreveu sobre o concerto. Parece-me bastante conciso. Podem também consultar a reportagem feita pela Blitz.

Há que dizer, antes de mais, que são muito raras as pessoas que me rodeiam que gostam de Sigur Rós. E estamos a falar de pessoas musicalmente informadas e de bom gosto. Sucede que a opinião geral é de que a música dos rapazes faz sono e é possivelmente a coisa menos cool de se gostar desde os pullovers de lã com bordados natalícios.

Para mim - e atenção que sou um gajo que não aprecia nada secas musicais e coisas como solos de guitarra de vinte minutos - a música dos Sigur Rós nada tem de seca e sempre me soou a algo que chega de mais longe do que a Islândia. Eu diria que aquilo não vem de outro planeta; vem mesmo de outra dimensão, e agarrou-me desde que, há uns anos, ouvi os primeiros acordes do álbum Agaetis Byrjun, disco que, apesar de não ser o primeiro da banda, foi o que os apresentou de forma emocionante ao planeta Terra.

Ontem, ao vê-los ao vivo pela primeira vez, senti o mesmo tipo de revelação do dia em que, pela primeira vez e sem saber exactamente ao que ia, pus a tocar o CD de Agaetis Byrjun. Desta vez sabia ao que ia (entretanto tornei-me um coleccionador de tudo quanto esta rapaziada já criou, incluindo uma ou outra raridade), mas assistir ao milagroso show deles a acontecer à minha frente, perceber que a voz de Jónsi Birgisson existe, à parte de eventuais manipulações que possam ser feitas em estúdio (mas que não são), é coisa para saltar da categoria de mero concerto e passar directamente para a classe de experiência única.

E pronto: nestas alturas haverá sempre quem já os tenha visto ao vivo anteriormente e que dirá que os outros concertos é que foram bons e que este foi assim-assim comparado com os outros. Sobre isso não sei nada: sei que ontem, no meu primeiro concerto dos Sigur Rós, aquilo foi mágico e, ainda por cima, o som da sala estava cristalino, tanto nos momentos melódicos delicados como nas explosões brutais de guitarras e percussão (como no caso da música final, que deixou muito boa gente boquiaberta e a banda certamente a precisar de massagens).

Pormenor que ainda estou para perceber se era verdade ou se foi impressão minha (se alguém esteve ontem no Campo Pequeno, que me ajude): não havia pessoas a pedirem-lhes músicas proferindo os impronunciáveis títulos? Se sim, essas pessoas são claramente os meus heróis. É que é a primeira vez que sou fã de uma banda de cujas canções não consigo dizer os nomes.

quinta-feira, outubro 16, 2008

OASIS no Pavilhão da Utopia*

*Numa de rebeldia achei que não se pode chegar aqui a mudar os nomes às coisas só porque sim, assim sendo, o Pavilhão Atlântico neste post terá o nome de Pavilhão da Utopia. E só neste post porque muito possivelmente a coisa entretanto passa-me e volto a chamar as vacas pelos nomes. Pessoalmente agrada-me Mimosa, o leitinho é sempre bom!

Chegou-me hoje ao meu email a notícia de que a banda dos infames irmãos Liam e Noel Gallagher vão passar por terras lusas para a promoção do novo álbum Dig Out Your Soul, no próximo dia 15 de Fevereiro. A banda originária de Manchester já não editava nada desde Don't Believe the Truth em 2005. Podem clicar aqui para ouvir o single de apresentação do novo trabalho - The Shock Of The Lightning. Mas nós sabemos que serão sempre relembrados por isto:

terça-feira, julho 01, 2008

Why we must love Amy Winehouse

Esta miúda é surpreendente! A sério! Tem (tinha pelo menos) um vozeirão capaz de a tornar numa das vozes mais aclamadas da última década, e no entanto escolheu o caminho menos favorável, acabando por entrar numa decadência só vista... Provas disso foi o concerto que Amy deu no festival de Glastonbury. Temos de tudo, menos música! O que eu admiro os músicos da banda... A rapariga desceu até ao público e deu um murro num espectador enquanto gemia para o microfone, ora vejam:

Isto é puro entretenimento!

terça-feira, junho 10, 2008

Question

Estava aqui no sossego do meu lar a ver um apanhado do RIR na Sic Radical e surgiu a pergunta: o que aconteceria se a organização do Rock In Rio tivesse posto essa grande banda de metal que são os Toquio Hotel no dia de metal. Ali mesmo antes de Machine Head e Metallica, ao invés do dia de Rod Stewart?

sábado, junho 07, 2008

As muitas posições de Matthew Bellamy

O único concerto dado na Europa este ano (encontram-se em estúdio a finalizar o próximo álbum), Muse voltam a terras lusas depois do concerto de há cerca de 3 anos no Campo Pequeno. Ontem a partilharam o palco na última noite de Rock In Rio. Hoje o jornal Blitz disponibilizou fotos desse concerto, e não resisti à tentação de fazer uma compilação das muitas posições e caras do vocalista do grupo britânico (clicar na imagem para ver em grande). Eu devia ter ficado pelo parque da Bela Vista para ouvir estes meninos também...

Metallica and Nothing Else Matters


Finalmente, finalmente já posso riscar da minha lista de concertos os senhores do metal. Metallica veio até Portugal pela terceira vez nos últimos 4 anos, e finalmente eu pude ir ver. A expectativa criada ao longo do dia foi subindo, aos poucos a ansiedade de finalmente ver e ouvir ao vivo aquela que considero A banda de metal chegou ao limite. Mas já lá vamos…
Ao sair na estação da Bela Vista uma fila enorme de pessoas vestidas de preto, de cabelos grandes, de barbas por fazer e com aspecto de armários, rumava em direcção ao parque da Bela Vista, para o primeiro dia da segunda fornada de Rock In Rio, tais formigas em busca de alimento. Enfim dentro do recinto, uma panóplia de divertimentos, de gifts, de passatempos, mas a ideia era rumar em direcção ao palco Mundo e arranjar um sítio bem confortável para ouvir Moonspell. Fernando Ribeiro subiu ao palco com a sua banda e os elementos das Crystal Mountain Singers, visto o novo álbum se marcar pela presença de vozes femininas. Muita música nova, mas o que a multidão queria ver e ouvir era Irreligious e Wolfheart. Apesar da honra de fazerem parte do alinhamento de um dia daqueles, o time slot a que são sujeitos, mais uma vez, faz com o espectáculo que eles montam em palco seja prejudicado pela luz de fim do dia. Mas, isso não os impediu de mostrar porque é que são A banda de metal portuguesa, nem os impediu de fechar com a mística Full Moon Madness, sem antes nos presentear com Alma Mater!
Apocalyptica subiram ao palco, e é fascinante o que uma bateria e alguns violoncelos conseguem produzir um som em que tudo se assemelha a uma banda de metal com guitarras e baixo. Sem vozes, mas isso não impediu que a plateia não soubesse de cor a Seek and Destroy que mais tarde seria devolvida ao público pelos verdadeiros donos… Um concerto com instrumentos, normalmente associados a música clássica, não estaria completo sem algo mais clássico, então, logo após um apelo por parte da banda para a Green Peace, a quinta sinfonia de Beethoven saiu das cordas dos cellos. Foi no mínimo um concerto surpreendente e diferente.

Pausa para o jantar, e tempo suficiente para deixar cair a noite e ver a multidão, que tinha andado mais ou menos dispersa, a se aproximar do palco mundo e a preparar-se para Machine Head. “Circle pit! Circle pit!” era o apelo feito pelo vocalista, não que isso fosse necessário para instalar a confusão, porque o natal é quando o homem quiser e o mosh pit é onde o metaleiro quiser. Ao mesmo tempo que apelava à confusão, também rapidamente pedia que levantassem quem caísse ao chão. E as imagens que apareciam nos ecrãs gigantes ao lado do palco mostravam que a clareira aberta para o pit era enorme! De resto, e não sendo fã de Machine Head, posso dizer que assim que começaram os acordes de Hallowed Be Thy Name de Iron Maiden a multidão acompanhou o vocalista nas letras fielmente.
A pausa feita para mudar o palco, prepará-lo para a banda cabeça de cartaz, foi o suficiente para nos empurrarmos pela multidão até à frente do palco de onde eu via confortavelmente o palco e os ecrãs. E valeu tanto a pena…

James, Kirk, Lars e Robert apesar de um ano fechados em estúdio a gravar o novo álbum de originais (cinco anos depois de St. Anger), chegaram com a energia que já lhes é característica. Creeping Death abriu, o pit começou, o pessoal foi empurrado e eu fiquei confortavelmente à larga para um sítio tão privilegiado. James imparável, correu o palco de um ponta à outra, a pirotecnia, a vontade de Lars tocar em pé, atravessado, aos pulos era admirável, e o SENHOR da guitarra Kirk… O solo de Kirk antecipou Nothing Else Matters, levou a multidão que se manteve fielmente em pé um dia inteiro a entoar em plenos pulmões a letra daquela que é das músicas mais conhecidas de sempre. A eterna balada de Metallica!
Who cares about you? Metallica does!
O alinhamento pecou no sentido em que quiseram trazer aqueles temas que menos reconhecimento tiveram ao longo da carreira, Bleeding Me, King Nothing e Devil’s Dance proporcionaram momentos mortos, e quebraram o concerto, que rapidamente foi reposto com old school. E nós queriamos old school, queriamos old, muito old, e em muita quantidade! Então foi-nos servido Fuel, Harvester Of Sorrow, (Welcome Home) Sanitarium, Master Of Puppets, Sad But True, One (acompanhada de fogo de artifício) e Enter Sandman. Encore e fechar com Seek and Destroy!

Foi delicioso ver o sorriso de satisfação estampado na cara de Hetfield ao ouvir o público que se estendia pelas colinas do parque da Bela Vista a entoar em uníssono os clássicos, músicas com mais de duas décadas, mas que ninguém esquece nem se cansa de ouvir.
Metallica cares about us, and we love Metallica!

quarta-feira, junho 04, 2008

Eu vou eu vou , ver Metallica eu vou eu vou eu vou eu vou...

Eles são os Moonspell, eles são Apocalyptica, eles são Machine Head e principalmente eles são Metallica!!

Finalmente, vou puder ver e ouvir ao vivo um das bandas mais intemporais, mas preciosas, mais interessantes e mais fieis, desde que o movimento metal se gerou! E eu amanhã vou estar lá! Ai vou vou!! Nada melhor para acabar a semana que já por si tem corrido muito bem!!

See you there!!

domingo, junho 01, 2008

Pelo menos apareceu!

Amy Winehouse apareceu no Rock in Rio uma hora atrasada, pediu desculpa, maaaaas depois a voz é que não deu para mais mas o concerto (que contra todas as expectativas) foi levado até ao fim! Foi mais ou menos isto:

sábado, abril 19, 2008

O sonho do David Fonseca no Coliseu

Ando a adiar escrever alguma coisa sobre este concerto com a esperança que à medida que os dias fossem passando, as minhas ideias fossem ficando mais coerentes. A conclusão a que chego é que não adianta. Já não assistia a um concerto com a magnitude deste há algum tempo. A expectativa era alguma, tinha uma certa curiosidade em saber como é que o menino de Leira iria fazer aquele que ele apelidou de O concerto. Dia 12 de Abril foi o escolhido, e eu abdiquei de comer uma banana, empilhar lenha, jogar à bola, andar de baloiço, conduzir, blogar, e até de olhar para o céu vazio. Renunciei disto tudo para me ir juntar ao David Fonseca na sua estreia no Coliseu, no concerto que encerrou a tournée. Num recinto a abarrotar de fãs, recebemos Rita SapatosVermelhos que nos abriu o apetite e a ansiedade para saber o que é que se escondia por trás das cortinas pretas que ocultavam o grande palco. Depois de RedShoes abandonar o palco, fomos deixados à espera, até que… Um mini filme protagonizado por Fonseca, autobiográfico, que nos explica as motivações. Estes vídeos tornaram-se recorrentes, nada aborrecidos, e tão bem colocados que não quebravam o andamento do concerto. A entrada em palco de um quarteto de mariachis seguida, daquilo que provocou uma onda de exaltação no público com 4th Chance, foi o arranque daquilo que depressa se tornou num dos melhores concertos que já tive o prazer de ver (Tool continua cá dentro, sorry).

Os pontos altos… Que absurdo, não consigo nomear pontos altos! Simplesmente não os consigo distinguir! O momento em que uma dezena de gambiarras desceu sobre o público e David entoou Song To The Siren, de Tim Buckley? Sim. Fonseca a girar numa plataforma giratória com um megafone ( que com muita pena nossa não estava a funcionar correctamente e não se ouviu a distorção da voz do cantor) na Silent Void? Sem dúvida. A Raging Light que levou o público ao auge, com um palco cheio de bailarinos saídos dos anos 70, rodeados de bolas de espelho? Também. Video Killed The Radio Star e The 80’s intersectados? Definitivamente! O dueto com a Rita em Hold Still levou o público a levantar os braços numa onda de ternura, enquanto nas telas que rodeavam o palco passavam imagens londrinas? Need I say more?

As conversas que David manteve com público também eram bem cómicas, vocês sabiam que ele já tinha tentado a profissão de agente secreto? Só não a continuou porque era uma profissão perigosa, e ele era sempre o primeiro a fugir… Cada vez que se dizia agente secreto os músicos começavam a tocar o tema dos Blues Brothers. David também explicou que fica impressionado quando o público masculino lhe pede que lhe faça um filho. É que mesmo que ele queira muito, e com muita força (palavras dele e não minhas) que não é possível. Um medley de hits radiofónicos vistos de uma forma completamente diferente, de uma forma sensível, com ternura… Imaginem a “Wannabe” das Spice Girls, “Toxic” de Britney Spears, “Maneater” de Nelly Furtado, “Can't Get You Out of My Head” de Kylie Minogue e “Umbrella» de Rihanna, numa visão do David, em que as músicas falam de infernos em fim, de relações tortuosas e muito mais. Hilariante, adianto já. E digo adianto porque o concerto foi filmado e será editado em DVD, onde eu vou poder rever, e muitos de vocês ver pela primeira vez o sonho do David. Sim, porque foi em jeito de sonho que a noite acabou, com o vocalista deitado de pijama vestido num cama que foi empurrada até ao centro do palco, no meio de duas ondas de bolas de sabão que caíam dos camarotes de cada lado, “Coliseu, chegou a minha hora”. Aí ouvimos a Dreams in Colour, e vimos o sonho projectado nas telas. Pouco depois, entravam em palco as personagens deste mesmo sonho. “Bem-vindos ao meu sonho!”. Um motoqueiro, imperador romano, mágica, pato, bávaro e o Comandante David. Fecham a noite com Together In Electric Dream misturada com “A Little Respect” dos Silence 4, e uma chuva de corações de papel vermelhos sobre os fãs, já com as pernas a cederem do cansaço de quase 3hrs de concerto, que se recusavam a arredar pé nas muitas ameaças de término que haviam existido. Fossem músicas de David Fonseca ou de Silence Four, já não nos importávamos, queríamos mais!

Foi assim, com bolas de espelhos, lanternas, megafones, bolas de sabão, corações de papel, e muito sonho, que me vou recordar da noite de 12 de Abril. E certamente que o David Fonseca também, pois passou a noite com um sorriso nos lábios e com uma presença em palco como há muito não vejo.

Agora vou comer uma banana, andar de baloiço, e talvez vá olhar para o céu vazio se parar de chover.

quinta-feira, abril 03, 2008

Editors no Coliseu do Porto

Hoje a banda britânica Editores vai estar na invicta a promover o An End Has a Start. Este post é dedicado ao rapazinho de Lamego que não pode ir ao concerto!

An end has a Start acoustic:



Enjoy!;)

segunda-feira, março 31, 2008

Portishead no Coliseu de Lisboa

Com muita pena minha não tive oportunidade de ver os míticos britânicos, Portishead, em tour pelo nosso país. Vou-me ficar pelas palavras dos jornalistas do Blitz.

Com um concerto magistral ainda bem fresco na memória, apesar de terem passado praticamente dez anos sobre a edição do festival Sudoeste que ofereceu os Portishead a um público privilegiado, o público lisboeta respondeu esta noite em massa a um chamamento imperativo. Os Portishead estão de volta com um novo e muito esperado terceiro álbum e apresentaram-no de forma irrepreensível.

Um alinhamento equilibrado, que juntou oito excitantes novos temas a nove canções clássicas, serviu para matar saudades dos triunfais anos 90 e para experienciar a nova sonoridade do projecto de Geoff Barrow, Beth Gibbons e Adrian Utley. Acompanhada em palco por novos elementos, a banda provou estar viva e de muito boa saúde.

O concerto arranca com os dois primeiros temas de Third, o novo álbum. «Silence» irrompe da ausência de som com bateria cavalgante e deixa lentamente que a voz sofrida de Beth Gibbons se faça ouvir pela primeira vez. O público reage e não contesta, assistindo hipnotizado ao início de uma noite histórica. A paragem abrupta e a passagem para o ritmo cardíaco que assombra a esquizofrénica «Hunter» é bem recebida, mas só ao terceiro tema se ouve a primeira ovação da noite. «Mysterons» é repescado ao velhinho Dummy e veste-se de azul e roxo para se mostrar tão imaculado quanto há 14 anos atrás.

«The Rip», mais uma nova canção, abranda o ritmo e oferece um belíssimo diálogo entre a voz periclitante de Gibbons e a guitarra acústica. É aqui que se percebe bem que a genialidade do trio britânico continua intacta e envolta na mesma aura de secretismo de sempre. A viagem ao passado é retomada com «Glory Box», que aparece entre fumos e luzes quentes. O público responde em coro com as vozes bem apontadas para uma Beth Gibbons forte de tão frágil. Os ritmos ácidos de «Numb», single com que os Portishead se apresentaram ao mundo, deixam o coliseu em hipnose sedutoramente dançada.

De volta ao presente, «Magic Doors» mostra a força que a bateria ganhou na nova sonoridade da banda. Os lamentos encantatórios de Gibbons rebentam em teclas com efeitos de tempestade e a rendição é agora total. O momento alto do concerto estava no entanto a chegar. «Wandering Star» é oferecida em ambiente soturno e despido, com uma solenidade e tensão que não se adivinham no original de estúdio. O público respeita ordeiramente o momento.

O registo alarmante do excelente novo single, «Machine Gun», acorda tudo e todos de um transe que momentos antes se tinha imposto. A percussão gigante permite que a voz vá irrompendo por entre batidas. Aplausos em catadupa. Segue-se a sequência mais excitante da noite. A acústica da sala lisboeta, particularmente feliz, permite absorver da melhor forma a solenidade de «Over», a grandeza de «Sour Times» (agora menos densa ao vivo que no passado) e as ambiências cinematográficas de «Only You».

«Nylon Smile» prova mais uma vez a eficiência das novas canções e a despedida antes do encore faz-se ao som de «Cowboys», cujo poder cresceu com o tempo de repouso. Antes de sair de palco, Beth Gibbons agradece e o público começa de imediato a pedir mais.

Antes do regresso, ouvem-se comentários bem elogiosos tanto aos novos temas como a uma cantora «sem idade», que «parece sempre igual». Ouve-se também que faltam cartazes a dizer «Beth casa comigo»... E eis a banda de novo em palco. «Threads» vai rastejando de mansinho até a cantora soltar todo o poder da sua voz num excelente exercício vocal. A transfiguração explosiva de uma figura que parece sempre ir despedaçar-se em mil pedaços arranca gritos exultantes de uma audiência ao rubro.

«Roads» era o momento que faltava ir repescar ao passado. Afirma-se hoje ainda como uma das canções mais belas de sempre e o público aproveita-a na ponta da língua. Seria momento de terminar, mas a banda acaba por surpreender de forma festiva com uma versão bem gingante de «We Carry On». Depois de terminada a sua função, Beth Gibbons desce ao fosso para cumprimentar o público, abandonando uma verdadeira orgia sonora em palco.

Avaliando por uma noite cravejada de bons momentos, os Portishead do século XXI prometem ser tão válidos em palco quanto aqueles que abandonaram a ribalta há dez anos atrás. O concerto do Sudoeste será sempre uma memória feliz, mas a noite de hoje tem já também lugar assegurado no baú de recordações.


Texto de: Mário Rui Vieira Via BLITZ

segunda-feira, março 24, 2008

Wierd much?

Quão peculiar é o alinhamento do cartaz Optimus Alive '08?

A mistura que fazem dos vários géneros de música é peculiar. Conseguem alinhar Bob Dylan no mesmo dia de Within Temptation e não no mesmo dia de Neil Young? Qualquer coisa que me escapa... E claro que faz imenso sentido alinhar Rage Against the Machine com o grupo brasileiro Cansei de Ser Sexy.

O festival realiza-se no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras, e é este o cartaz até então:

10 de Julho
Rage Against the Machine
Spiritualized
Gogol Bordello
Cansei de Ser Sexy
The National
Sons of Albion
Peaches (DJ Set)

11 de Julho
Bob Dylan
Within Temptation
Chris Cornell

12 de Julho
Neil Young
Ben Harper & The Innocent Criminals
Róisín Murphy
Donavon Frankenreiter
The Gossip

E por falar em Neil Young:

Heart of Gold

segunda-feira, março 17, 2008

Isto é que era do caraças!

À margem dos festivais de verão que estão a ser diariamente anunciados, ontem um amigo enviou-me o site sobre festival, com um cartaz de deixar cair o queixo! Sei bem de uma lista de pessoas que de certeza já começaria a ponderar uma viagem até ao sul, mais propriamente até ao Parque de Exposições e Feiras de Estombar no Algarve. O festival Lagoa Burning Live 2008 realizar-se-á nos dias 25, 26 e 27 de Julho. O festival já tem mais de 40 bandas confirmadas! Alguns dos nomes que vão comparecer na segunda edição deste festival, já me são bem conhecidas, outras seria uma oportunidade única para as conhecer. Apesar da tolerância para andar tanta hora de autocarro ser nula, penso no que vou pagar para ir ver Metallica, quando este festival cobra os mesmo valor, 50€ (segundo fontes não confirmadas, não consegui aceder ao site oficial do festival), pelos três dias!! Claro que não acabo este post sem antes vos abrir o apetite com alguns nomes: Soilwork, Opeth, Tankard, Obituary, Moonspell, Finntroll, entre muitas outras. Appealing, isn’t it?

sábado, março 08, 2008

Maldoror dos Mão Morta

E é em poucas palavras que o Maldoror foi bom! E é em poucas palavras que o Maldoror foi bom nos seus primeiros anos! E é em poucas palavras que o Maldoror foi bom nos seus primeiros anos em que viveu feliz!

Preparem-se para serem surpreendidos, deixem que Maldoror pegue em vós, vos atire contra uma parede. Pois não se vão importar nada com o impacto...

Pedofilia, zoofilia, homossexualidade, sadomasoquismo, os crimes eróticos, palavras saídas de uma mente no limiar da insanidade condensam os textos declamados por Adolfo Luxúria Canibal em Maldoror. Sintetizado temos a palavra PREVERSÃO. Sem recorrer a palavras curtas, temos visões díspares de insanidade.
Num “concerto ensaiado” (como me foi definido), Maldoror traz-nos os textos do uruguaio Isidore Ducasse (de quem Lautreamónt é o alter ego), traduzidos e adaptados por uma das melhores mentes da escrita macabra, sombria, sem pudor, da literatura nacional. Actualmente Adolfo Luxúria Canibal reside em Paris, daí poderemos encontrar várias conotações à cidade na adaptação por ele feita.
Bradar palavras de temas sensíveis não é para todos, uma selecção e estudo cuidadoso das palavras de forma que os textos sejam poéticos e estilizados e o vocábulo duro seja mais facilmente digerido.
Tendo na sua maioria do texto uma conotação directa com a infância, o palco visa recriar um quarto de brinquedos, com bonecos desconformes (cabendo aos restantes membros dos Mão Morta se vestirem a preceito). Um quarto de brinquedos onde entra uma criatura que quer brincar com a criança de outra forma… A criatura tanto era lasciva, como animalesca, agressiva. Canibal interpretava todos, cambiava de personagem com a simples mutação da cor das candeias.
A degradação humana, tema sensível para uma sociedade que se julga num auge da perfeição, clama para que cada um se perceba da sua própria condição. Que a admita, que se levante e lute contra ela.

"Pois bem, que assim seja! Que minha guerra contra o homem se eternize, já que cada um de nós reconhece no outro sua própria degradação... já que somos ambos inimigos mortais. Quer deva eu conseguir uma vitória desastrosa ou sucumbir, o combate será belo; eu, sozinho contra a humanidade".

Uma alienação de situações desenvolvem-se ao som dos Mão Morta, não é só o texto de Canibal que nos faz sentir ali, que nos abre. Os músicos que completam o “concerto ensaiado” trazem o resto do movimento à letra. Estava sempre com vontade de os ver saltar num solo, de se mexerem mais!! Assim como me apercebi que havia mais gente a querer saltar. Mas o principal ali era a declamação, por instantes deixava a mente vaguear até ao som do baixo, do cello, da guitarra. E depois um salto de volta à figura principal. Acreditem que é difícil! Mas vale a pena. Vale sempre a pena um texto de Adolfo Luxúria Canibal, ainda mais quando as palavras brotam-lhe da boca com uma despretensão assustadora.

O disco, acompanhado de um pequeno livro forrado a tecido ilustrado por desenhos da artista plástica Isabel Lhano, é duplo, de edição limitada a três mil exemplares contendo excertos de textos dos "Cantos de Maldoror", e só se encontra disponível nos teatros por onde a tournée vai passar. (Doh!!! Só agora é que soube disto… F***).

Vejam aqui um pequeno “trailer” sobre a peça, e depois vão ver a peça!!

A tournée vai passar pelas seguintes cidades nas próximas semanas:
13 de Março - Teatro José Lúcio da Silva - Leiria - 21h30
05 de Abril - Teatro das Figuras - Faro - 21h30
12 de Abril - Cine-Teatro - Estarreja - 22h00
23 de Abril - Grande Auditório da Culturgest - Lisboa - 21h30
03 de Maio - Theatro Circo - Braga - 22h00


Imagem de Adolfo Luxúria Canibal via www.janelaamarela.blogspot.com.

sábado, fevereiro 23, 2008

Eu vou ver isto...

Correcção, vou ouvir de muito bom grado isto:
Isto é quase um dois em um!



Também vens?

Update Rock in Rio

Mais nomes confirmados para a edição do Rock in Rio Lisboa deste ano. Os bilhetes estão à venda a partir do dia 28 de Fevereiro. A lista, incluindo palcos secundários, está agora assim formada:

30 Maio
Amy Winehouse
Lenny Kravitz
James Morrison
Ivete Sangalo

Philarmonic Weed & Prince Wadada
Ricardo Azevedo & Lúcia Moniz
Sam the Kid & Cool Hipnoise
Paul Van Dyk
DJ Axwell
Diego Miranda
Mary Zander

31 Maio
Bon Jovi
Alanis Morissette
Skank
Alejandro Sanz

NBC & Verónica Larrenne
João Gil & Tito Paris & Marisa Pinto
Homenagem a Rui Veloso: Expensive Soul & Sara Tavares
François K
Christian Smith
Carlo Dall' Anese
Carl Cox

1 Junho
Rod Stewart

Jazzinho & Melo D
Ala dos Namorados & Rão Kyao & Nancy Vieira
Boss AC & Vitorino

5 Junho (My Day)
Metallica
Machine Head
Apocalyptica

André Indiana & SP & Wilson
Wraygunn & The Faith Gospel Choir com The Legendary Tiger Man
Tim & Jorge Palma

6 Junho
Caim & duas bandas vencedoras dos concursos de bandas de Lisboa e Porto
Buraka Som Sistema & Deise Tigrona & Bruno M
Clã & Convidados
DJ Vibe


O velhos do bairro, aka Xutos ainda não confirmaram dia.

Será que Amy Winehouse vem mesmo? É que o entra e sai de rehab, depois as notícias da destruição que a cantora deixou no quarto de hotel onde esteve hospedada durante os Brit Awards, e ainda o Blaaaaaaake (marido de Amy) que teve uma OD na prisão onde está encarcerado... Bem a vida desta menina é só emoções, daí que não sei como é que ela consegue fazer planos de futuro!

Via RockInRio.pt

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

O festival Ideal?

No outro dia colocaram-me exactamente esta questão, qual seria o alinhamento do meu festival ideal?

A revista Rolling Stone colocou a mesma pergunta aos leitores para o festival que eles denominaram Rock Daily Readersapalooza. Uma lista com 27 bandas esteve disponível durante o fim de semana, por onde os leitores votariam nas bandas que iriam compor um alinhamento ideal. Os cabeça de cartaz dos três dias foram para Radiohead, Led Zeppelin e Pink Floyd. O resto das bandas distribuiriam-se da seguinte maneira:

Sexta
Cabeça de Cartaz: Radiohead
David Bowie
Arcade Fire
Talking Heads
Beck
Flaming Lips
Daft Punk
Oasis
White Stripes

Sábado
Cabeça de Cartaz: Led Zeppelin
Paul McCartney & Ringo Starr
Bob Dylan
The Rolling Stones
Bruce Springsteen
Foo Fighters
Pearl Jam
Red Hot Chili Peppers
Cream

Domingo
Cabeça de Cartaz: Pink Floyd
Velvet Underground
Phish
U2
Prince
Guns N’ Roses
Rage Against the Machine
Tom Waits
The Allman Brothers Band

O meu concerto ideal de um dia de festival seria:

Dia 1
Cabeça de cartaz:Radiohead
The Killers
The Strokes
Red Hot Chili Peppers
The Smashing Pumpkins

Dia 2
Cabeça de cartaz: Metallica (I'm faithfull!)
Pink Floyd
Pearl Jam
Led Zeppelin
Guns N’ Roses
David Bowie

Dia 3
Cabeça de cartaz: Tool
Deftones
Foo Fighters
Placebo
U2

O alinhamento teria se ser estudado de outra forma certamente. Mas pena que o festival ideal não exista. Mas era bom era!


Agora coloco eu a questão: o VOSSO dia de festival ideal?

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Concertos datas e outros doces...

A organização do Rock In Rio já anunciou que o festival já não se realizará nas datas previstas (desculpem a minha ignorância mas não faço ideia quais eram essa datas). Dado os Metallica (no fundo o único motivo para eu estar a escrever isto) só estarem disponíveis a 5 de Junho, as novas datas são: dias 30, 31 de Maio e 1 de Junho (Sexta, Sábado e Domingo) e 5 e 6 de Junho (Quinta e Sexta-feira).
O outro motivo para justificar esta mudança de datas é o facto da selecção nacional de futebol se estrear no dia 7 de Junho no europeu... Não estou a gozar, foi mesmo esta a justificação dada pela organização...

Os britânicos Portishead, que se encontram por terras lusas nos próximos dias 26 e 27 de Março no coliseu do Porto e de Lisboa, respectivamente, já tem casa cheia. Segundo a promotora, Everything is New, os bilhetes já se encontram esgotados. O grupo vem promover o terceiro álbum, Third. Chega às lojas a 14 de Abril.
A minha "devoção" por Portishead começou mais ou menos assim:



Com pena minha, não tenho um bilhete...

sábado, janeiro 12, 2008

METALLICA NO RIR!!!

Sim, só me disseram isto hoje! Volto daqui a pouco com mais pormenores! Ah, e os Machine Head também vêm ao Rock In Rio!

O Eddie vai ter que se desculpar...